quinta-feira, 21 de junho de 2012

INSCRIÇÕES ABERTAS!!


As inscrições para o I Encontro do Grupo Comp@rtilhamos Educação "Orgulho de ser Professor(a)" ou "Um galo sozinho não tece uma manhã",  já se encontram a bertas.

Bata clicar no link Inscrições  que se encontra à esquerda do seu monitor. Preencher aqui mesmo, on line, e ao final do preenchimento clicar no botão enviar/submeter. Não é necessário nenhum envio por e-mail!

Você receberá uma cópia da ficha preenchida como ação que confirma o rcebimento da ficha por nós.

Atenciosamente,


Comissão Organizadora

Bom dia!!!


A cidade amanheceu chuvosa e fria - os telhados do bairro lavados pela água parecem novos agora.
Através da janela vejo as casas baixas do bairro, o vento balança as folhas da árvore do quintal vizinho. Moro em São Paulo e meu bairro quase não tem prédios, quintais sim - e eu, carioca, que pensava que São Paulo era um mar de infinito concreto... como é fácil julgar pelo que vemos né? E vemos tão pouco... e ignorantes pensamos que sabemos tudo.
Assim como eu, num tempo de antes, imaginava a Paulicéia como sendo feita apenas de prédios (como muitos não-cariocas pensam que o Rio de Janeiro é apenas praia e gente bronzeada), o ser humano costuma ver o outro e, imediamente, construir seu conceito sobre o que viu, mas na maioria das vezes não percebe o outro.
As pessoas são como cidades, nós vemos apenas um pedacinho delas e logo dizemos "Gostei" "Não gostei" e seguimos com nossas opiniões, formadas através de um olhar, uma só experiência... com as pessoas se dá o mesmo, não paramos pra pensar que esta pessoa tem uma história e é múltipla - assim como temos nossa história e somos múltiplos - egoístas que somos esquecemos de perceber o irmão em um contexto mais geral, ficando mais fácil julgá-lo apenas pela palavra ríspida que disse ou pelo comportamento que vimos e não concordamos.
Eu confesso que tentei escrever apenas "Bom dia", evitando assim este tema (um tanto confuso talvez) - mas não consegui, então relevem esta amiga que ainda não aprendeu a ser consisa e simples.
Pra todos nós um dia maravilhoso!
À espiritualidade agradeço pelo dia de ontem, tão cotidiano e feliz.
À espiritualidade peço que me oriente sempre no caminho do bem.
Salve Oxóssi em seu dia!
Fraterno abraço.
Sofia

Desaprendendo a lição

“Há uma idade em que se ensina o que se sabe, mas em seguida vem outra idade em que se ensina o que não se sabe”. Esta frase de Roland Barthes é instigante. Desmitifica a prática usual do ensino. Por isso, ele continua seu pensamento afirmando que é preciso “desaprender”, “deixar trabalhar o imprevisível” até que surja a chamada “sapiência”, uma sensação de “nenhum poder, um pouco de saber, mas com o maior sabor possível”. E num seminário em Paris, praticando a errância do saber, propôs aos alunos que o encontro na classe não tivesse tema pré-determinado. Do desejo inconsciente do saber é que deveria aflorar o tema. Ali, os alunos deveriam não apenas desejar o saber, mas saber desejar. Desejar o saber é uma primeira etapa, mas saber desejar é refinada atitude. Entre um e outro vai a distância do canibal ao gourmet. 

Como derivação das colocações de Barthes se poderia dizer: o professor pensa ensinar o que sabe, o que recolheu dos livros e da vida. Mas o aluno aprende do professor não necessariamente o que o outro quer ensinar, mas aquilo que quer aprender. Assim, o aluno pode aprender o avesso ou o diferente do que o professor ensinou. Ou aquilo que o mestre nem sabe que ensinou, mas o aluno reteve. O professor, por isso, ensina também o que não quer, algo de que não se dá conta e passa silenciosamente pelos gestos e pelas paredes da sala. É, aliás, a mesma história que se dá com o texto. O autor se propõe a dizer uma coisa, mas o leitor constrói sua leitura segundo suas carências e iluminações. Por isso se equivocou Jacques Derridá ao dizer que o texto escrito segue livre sem paternidade, enquanto o discurso, oral, é tutelado pelo orador. 

O orador também não controla seu discurso, pelo simples fato de estar presente. A palavra ao ser pronunciada já não nos pertence. O orador é falado pelo discurso. Fala-se o que se pensa que se sabe, ouve-se o que se pensa que foi pronunciado. O sentido é construído a muitas vozes e ouvidos, harmonicamente. Tinha razão o polifônico Sócrates: “A verdade não está com os homens, mas entre os homens”. 

Repitamos a frase de Barthes: “Há uma idade em que se ensina o que se sabe, mas em seguida vem outra idade em que se ensina o que não se sabe”. E adicionamos o seguinte raciocínio: em geral pensa-se que o professor é aquele que “fala”, que preenche com seu encachoeirado discurso uma aula de 50 minutos ou seminário de três horas. Este é um conceito de ensino como uma atividade “oracular” da parte do mestre que se complementa numa passividade “auricular”da parte do aluno. 

Contudo, assim como o espaço em branco é importante no poema, assim como a pausa organiza a música, o saber pode brotar no silêncio. O jorro contínuo de palavras pode ostentar apenas ansiedade. O conhecimento pode se instalar no entreato. O silêncio também fala. É isto que se aprende durante as ditaduras. E por outro lado, durante as democracias se aprende que o discurso nem sempre diz. Portanto, à audácia de desaprender o aprendido, soma-se a astúcia do silêncio. No princípio era o verbo. A construção do silêncio exige muitas palavras. O escritor, por exemplo, constrói uma casa de palavras para ouvir seu silêncio interior. Comecei falando em Barthes. E aquela frase inicial dele remete não só à questão do “saber” e do “sabor”, mas do “saber” e do “poder”. Na verdade, enriquece-se o saber combatendo-se o poder que ele aparenta. E uma forma de incrementar o poder é o “perder”. 

Assim o melhor professor seria aquele que não detém o poder nem o saber, mas que está disposto a perder o poder, para fazer emergir o saber múltiplo. Nesse caso, perder é uma forma de ganhar e o saber é recomeçar. E para terminar, nada melhor que uma frase de outro desconstrutor de verdades, que é Guimarães Rosa: “Mestre não é quem ensina, mas aquele que de repente, aprende”. 
Affonso Romano de Sant'Anna

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Enfim, o Blog está na rua...

Neste 20 de junho de 2012, quando no Rio de Janeiro se discutem as questões ambientais mundiais, colocamos o Bloco do Comp@artilhamos Educação na rua.
Trabalhamos o dia todo, são 21 horas e 40 minutos, estamos com o sentimento de dever cumprido!
Comp@rtilhamos dúvidas e aprendizados - fazer um Blog não era da nossa experiência - mas com boa vontade, desejo de acertar e de concretizar sonhos, aqui estamos.
Este é fruto de uma parceria fraterna, pois fizemos este Blog a seis mãos, a saber: uma professora do grupo, uma professora da UERJ e sua aluna da Pedagogia.
Agora está nas mãos de quem quiser se aventurar !!!
Comp@rtilhemos!
Maria Candida Caetano Gomes
Socorro Calháu
Juliana Marques da Silva

Tecendo a Manhã

                                João Cabral de Melo Neto
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.